Poderia começar definindo que é uma série da HBO sobre vampiros. Mas não é tão simples assim...
Imagine uma cidadezinha no estado de Louisianna, chamada Bon Temps (pronuncie com o que você tiver melhor do seu sotaque francês!), onde existe uma exótica mistura de culturas: negros praticantes de vodu, brancos protestantes, o americano tradicional e republicano, gays e homofóbicos. Tudo isso mesclado com a exótica paisagem sulista norte-americana, com a forte religiosidade e a marcante colonização francesa. Muitos adjetivos pra você? E eu mal comecei.
Pois bem, a estória começa quando os vampiros, encorajados pela recente invenção japonesa de um substituto artificial de sangue, espécie de sangue sintético, resolvem ‘sair do caixão’, ou seja, revelar para o mundo inteiro sobre a sua existência. E vão além, exigem direitos civis e a oportunidade de viver como seres atuantes na sociedade.
Louco? Sim, a princípio nada parece fazer muito sentido. Mas, a sutil presença de piadas e o sarcasmo constante logo nos fazem pensar que a situação não é tão absurda assim. Já vimos isso antes! Sim, o criador da série e homossexual assumido Allan Ball, cria um link com a discriminação contra os gays. Fica fácil perceber, através de sacadas interessantíssimas como: God hates fangs (Deus odeia presas), num trocadilho genial para God hates fags (substitua presas por bixas)!
Então, surpreendentemente, o tema já tão batido da discriminação sexual, ainda que necessário, se torna novo e vibrante. Porém, em True Blood, os gays já não são o maior alvo de discriminação e chacotas, e sim, os vampiros. Porque misturado à repulsa, ao medo dessas criaturas estranhas e intrigantes, existe a atração que eles sempre parecem despertar nos humanos. Nesse caso, a série não foge à regra, os vampiros continuam sendo carregados de erotismo e charme.
O que nos remete ao próximo elemento constante desse programa: sexo. Que é mostrado como um alimento tão vital aos humanos quanto o sangue é para os vampiros. Romantismo? Não. A relação entre os protagonistas: Sookie (Anna Paquin) e o centenário Bill (Stephen Moyer) não chega a ser fria, diria morna, apesar do sexo entre eles ser banhado a sangue e mordidas, o que é ótimo, para variar das eternas cenas de sexo bonitinho entre a mocinha e o mocinho! Contudo, assistindo a segunda temporada, já me pego torcendo para que Sookie ofereça seu lindo pescoço branco para outros caninos.
Na verdade, True Blood é cheio de personagens com fortes elementos vívidos e vivos, e talvez seja isso o motivo do sucesso da série. Todos têm defeitos, escondem segredos, vícios e perversões. Os vampiros, e a morte, vêm completar esse cenário e acrescentar um toque de magia à realidade já surreal de Bon Temps. E muitas vezes, fica confuso saber quem é mais maligno, as estranhas criaturas noturnas ou os dissimulados seres ‘humanos’. Experimente.

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