sábado, 27 de novembro de 2010

O Mal Amado


É aquele incapaz de despertar afeição genuína e recíproca, que sofre da falta de amor e, frequentemente, se ressente disso.
O principal indício de que você está na presença de um mal amado é a inveja evidente, disfarçada de doses ácidas de cinismo e deboche.
O alvo prioritário do mal amado é a felicidade alheia (já que alegria é coisa tão escassa na vida desses indivíduos) e ele se alimenta das sobras e restos de contentamento que respingam de pessoas próximas a ele.
O mal amado é um ótimo conselheiro, porque ele finge como ninguém saber sobre a vida, amor, amizade (afinal ele é um observador!), mas suas opiniões têm sempre o objetivo de causar desconfiança, dúvida e sentimentos negativos nas pessoas que, por uma infeliz coincidência, convivem com tais indivíduos.
Afinal o mal amado só experimenta algo próximo à felicidade, com a adversidade dos outros. Ele precisa que os que o rodeiam sintam o gostinho azedo do desamor, só assim ele consegue se sentir realizado na sua perversidade vazia e solitária.
A solidão é a melhor amiga do mal amado.
A dor mais freqüente do mal amado é a de cotovelo.
A cura?
Get a life, loser!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Programe sua vida!

Esse amigo meu pagou mais de 500 reais para assistir ao show do Paul McCartney em POA. Ele me disse: eu simplesmente não posso morrer sem ter visto um show dele! Acho que entendo essa atitude fanática, também quero muito assistir a um show da Madonna e dos Rolling Stones; e lamento nunca ter podido ver a Legião ou o Queen tocar ao vivo.
Enfim, toda essa situação de ter que assistir a um show de um ídolo me fez lembrar dessas comunidades no Orkut com listas do que você deve fazer antes dos 30, 40...ou qualquer outra idade pré-estabelecida para se fazer loucuras, experimentar aventuras e fazer todas as coisas apontadas lá.
Desde quando existe uma idade para se namorar, casar, perder a virgindade, fazer sexo com mais de uma pessoa, viajar de mochila na Europa, tomar um porre, conhecer o amor da sua vida? Desde sempre. Desde que a gente começa a ter noção das coisas nos é ensinado que há hora pra tudo, um tempo certo para  cada momento e experiência importante de nossas vidas.
Então, de acordo com esse timer pré-concebido pela sociedade, nós seguimos uma rotina de eventos onde a idade é o guia. Nascer, crescer, ir para a escola, começar a namorar, arrumar um trabalho, casar, ter filhos, netos...e morrer! Essa é a receita para uma vida ‘correta’.
Corretamente chata. É como ir para uma aula muito monótona e ter que ficar até o final. Você passa o tempo todo olhando para o relógio e é obrigado a ficar vendo os ponteiros se arrastarem. Fica imaginando como seria sua vida sem listas...elaboradas há muito tempo. E o tempo? Bom, ele não dá a mínima para a gente, para o que a gente faz ou quando faz! Acho que o sentimento deveria ser recíproco.

A vida que me ensinaram como uma vida normal
Tinha trabalho, dinheiro, família filhos e tal
Era tudo tão perfeito, se tudo fosse só isso
Mas isso é menos do que tudo, é menos do que eu preciso.


segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Uma Nova Presidente

 "Há mudança no Brasil. Ela não corre, mas anda. 
Não corre, mas ocorre." 
Herbert José de Souza, sociólogo
Conversando com uma aluna, bem mais jovem do que eu, disse para ela que nunca tinha visto uma eleição tão morna. Faltou empolgação, candidatos carismáticos, faltou querer ‘vestir a camiseta’ e ‘levantar a bandeira’!
Faltou esperança.
A cada eleição que passa, sinto que não existem mais líderes políticos, existem políticos de ocasião, pessoas que embaladas por um sucesso repentino, aproveitam a época das eleições para garantir um salário gordo durante quatros anos a troco de...a troco de que mesmo? De nada. Batem ponto na assembléia, no plenário, no senado ou no congresso nacional...mas não fazem nada.
Políticos de ocasião.
Será nossa recém eleita presidente, Dilma Rousseff, um exemplo dessa laia? Espero, sinceramente, que não.
Votei nela sim, mas não por ela. Votei pela estabilidade e relativo progresso que os oito anos do governo Lula trouxeram para o Brasil. Inclusive, só acho que ela se elegeu por causa disso. Porque o último governo federal, bem ou mal, satisfez a maior parte da nossa população. Me included!
Tô torcendo por ela...e por todos nós! Que o Brasil continue prosperando e que nós possamos nos tornar uma nação melhor e de melhores oportunidades.

Comer, rezar, amar...

                                                 " É dificil aprisionar os que têm asas"

Tem essa pergunta, de uma determinada lição, que sempre acabo fazendo para meus alunos: se você pudesse ser um animal, qual você seria? As respostas são das mais variadas: muitos seriam cachorros, gatos, alguns arriscam algo mais selvagem como leões, panteras e tubarões. Mas a resposta que mais me surpreende é daqueles que dizem que seriam pássaros. Olho essas pessoas de uma forma diferente e penso: quanto desprendimento! Afinal, para mim, não existe ser mais livre do que um pássaro.
Por falar em desprendimento, acabei de ler Comer, rezar, amar. Adorei o livro! Basicamente essa mulher chamada Liz Gilbert entra em crise existencial, questionando vários aspectos de sua vida, acaba se separando do marido, logo se apaixona por outro homem, percebe que esse último relacionamento é turbulento demais e então toma uma atitude, no mínimo, incomum: resolve viajar por três diferentes países em busca de novas experiências e a procura de si mesma! Ufa!!!
Quem me dera ser assim, largar tudo e voar para longe! Mas jamais conseguiria ser tão radical. Dou muito valor para as poucas coisas e pessoas que consegui conquistar ao longo da minha vida.
Bom...Liz Gilbert narra no livro, que para tomar essa decisão, Deus Todo Poderoso falou com ela e a incentivou a seguir esse caminho. Ela também contou com a ajuda de parentes, de uma conta bancária substancial, com conselhos de gurus indianos e sábios hindus.
Eu, por enquanto, só tenho meu Visa e a minha conta (universitária!) no Banrisul. Meus amigos não sabem nem o que fazer com as próprias vidas, quem dirá dar conselho sobre a minha! E se, por acaso, um Espírito do Além viesse falar comigo...eu correria para um Centro Espírita!
Continuo admirando, e muito, aqueles que têm coragem de largar tudo (ou largar muito) e partirem...mas têm certas coisas que a gente simplesmente sabe que não são para nós! E conhecer meus limites talvez seja tão libertador quanto transpor todas as fronteiras que eu já sonhei.