Em alguns momentos palavras são dispensáveis. Mas descobri, recentemente, que escrever exorciza os sentimentos ruins que ficam corroendo nossas entranhas. Pontos, vírgulas, exclamações, e, especialmente, reticências me ajudam a expressar alguns pensamentos e idéias. Aqui, tudo que você vai encontrar são opiniões daquilo que, em algum momento, senti. Talvez você descubra que palavras são realmente desnecessárias. They can only do harm. Talvez aqui você só encontre silêncio. Enjoy it.
É aquele incapaz de despertar afeição genuína e recíproca, que sofre da falta de amor e, frequentemente, se ressente disso.
O principal indício de que você está na presença de um mal amado é a inveja evidente, disfarçada de doses ácidas de cinismo e deboche.
O alvo prioritário do mal amado é a felicidade alheia (já que alegria é coisa tão escassa na vida desses indivíduos) e ele se alimenta das sobras e restos de contentamento que respingam de pessoas próximas a ele.
O mal amado é um ótimo conselheiro, porque ele finge como ninguém saber sobre a vida, amor, amizade (afinal ele é um observador!), mas suas opiniões têm sempre o objetivo de causar desconfiança, dúvida e sentimentos negativos nas pessoas que, por uma infeliz coincidência, convivem com tais indivíduos.
Afinal o mal amado só experimenta algo próximo à felicidade, com a adversidade dos outros. Ele precisa que os que o rodeiam sintam o gostinho azedo do desamor, só assim ele consegue se sentir realizado na sua perversidade vazia e solitária.
A solidão é a melhor amiga do mal amado.
A dor mais freqüente do mal amado é a de cotovelo.
Esse amigo meu pagou mais de 500 reais para assistir ao show do Paul McCartney em POA. Ele me disse: eu simplesmente não posso morrer sem ter visto um show dele! Acho que entendo essa atitude fanática, também quero muito assistir a um show da Madonna e dos Rolling Stones; e lamento nunca ter podido ver a Legião ou o Queen tocar ao vivo.
Enfim, toda essa situação de ter que assistir a um show de um ídolo me fez lembrar dessas comunidades no Orkut com listas do que você deve fazer antes dos 30, 40...ou qualquer outra idade pré-estabelecida para se fazer loucuras, experimentar aventuras e fazer todas as coisas apontadas lá.
Desde quando existe uma idade para se namorar, casar, perder a virgindade, fazer sexo com mais de uma pessoa, viajar de mochila na Europa, tomar um porre, conhecer o amor da sua vida? Desde sempre. Desde que a gente começa a ter noção das coisas nos é ensinado que há hora pra tudo, um tempo certo para cada momento e experiência importante de nossas vidas.
Então, de acordo com esse timer pré-concebido pela sociedade, nós seguimos uma rotina de eventos onde a idade é o guia. Nascer, crescer, ir para a escola, começar a namorar, arrumar um trabalho, casar, ter filhos, netos...e morrer! Essa é a receita para uma vida ‘correta’.
Corretamente chata. É como ir para uma aula muito monótona e ter que ficar até o final. Você passa o tempo todo olhando para o relógio e é obrigado a ficar vendo os ponteiros se arrastarem. Fica imaginando como seria sua vida sem listas...elaboradas há muito tempo. E o tempo? Bom, ele não dá a mínima para a gente, para o que a gente faz ou quando faz! Acho que o sentimento deveria ser recíproco.
“A vida que me ensinaram como uma vida normal
Tinha trabalho, dinheiro, família filhos e tal
Era tudo tão perfeito, se tudo fosse só isso
Mas isso é menos do que tudo, é menos do que eu preciso.”
Conversando com uma aluna, bem mais jovem do que eu, disse para ela que nunca tinha visto uma eleição tão morna. Faltou empolgação, candidatos carismáticos, faltou querer ‘vestir a camiseta’ e ‘levantar a bandeira’!
Faltou esperança.
A cada eleição que passa, sinto que não existem mais líderes políticos, existem políticos de ocasião, pessoas que embaladas por um sucesso repentino, aproveitam a época das eleições para garantir um salário gordo durante quatros anos a troco de...a troco de que mesmo? De nada. Batem ponto na assembléia, no plenário, no senado ou no congresso nacional...mas não fazem nada.
Políticos de ocasião.
Será nossa recém eleita presidente, Dilma Rousseff, um exemplo dessa laia? Espero, sinceramente, que não.
Votei nela sim, mas não por ela. Votei pela estabilidade e relativo progresso que os oito anos do governo Lula trouxeram para o Brasil. Inclusive, só acho que ela se elegeu por causa disso. Porque o último governo federal, bem ou mal, satisfez a maior parte da nossa população. Me included!
Tô torcendo por ela...e por todos nós! Que o Brasil continue prosperando e que nós possamos nos tornar uma nação melhor e de melhores oportunidades.
Tem essa pergunta, de uma determinada lição, que sempre acabo fazendo para meus alunos: se você pudesse ser um animal, qual você seria? As respostas são das mais variadas: muitos seriam cachorros, gatos, alguns arriscam algo mais selvagem como leões, panteras e tubarões. Mas a resposta que mais me surpreende é daqueles que dizem que seriam pássaros. Olho essas pessoas de uma forma diferente e penso: quanto desprendimento! Afinal, para mim, não existe ser mais livre do que um pássaro.
Por falar em desprendimento, acabei de ler Comer, rezar, amar. Adorei o livro! Basicamente essa mulher chamada Liz Gilbert entra em crise existencial, questionando vários aspectos de sua vida, acaba se separando do marido, logo se apaixona por outro homem, percebe que esse último relacionamento é turbulento demais e então toma uma atitude, no mínimo, incomum: resolve viajar por três diferentes países em busca de novas experiências e a procura de si mesma! Ufa!!!
Quem me dera ser assim, largar tudo e voar para longe! Mas jamais conseguiria ser tão radical. Dou muito valor para as poucas coisas e pessoas que consegui conquistar ao longo da minha vida.
Bom...Liz Gilbert narra no livro, que para tomar essa decisão, Deus Todo Poderoso falou com ela e a incentivou a seguir esse caminho. Ela também contou com a ajuda de parentes, de uma conta bancária substancial, com conselhos de gurus indianos e sábios hindus.
Eu, por enquanto, só tenho meu Visa e a minha conta (universitária!) no Banrisul. Meus amigos não sabem nem o que fazer com as próprias vidas, quem dirá dar conselho sobre a minha! E se, por acaso, um Espírito do Além viesse falar comigo...eu correria para um Centro Espírita! Continuo admirando, e muito, aqueles que têm coragem de largar tudo (ou largar muito) e partirem...mas têm certas coisas que a gente simplesmente sabe que não são para nós! E conhecer meus limites talvez seja tão libertador quanto transpor todas as fronteiras que eu já sonhei.
Estar sozinha é diferente de ser sozinha. Solidão e multidão nem sempre são antônimos. Absurdamente os opostos se atraem. E eles definitivamente se traem.
Hoje estou cercada de pessoas, todo o tempo e o dia todo. E estou só. Estou sem. Vazia. Carente de tudo e cheia de nada.
Todas as nuvens negras que sobrevoam o meu pensamento resolveram criar um motim, uma rebelião, um pacto e virei refém de mim mesma. Não exijo resgate. A escuridão cercou meu coração, cobriu a minha mente e escureceu minha esperança.
A esperança? A última que morre, mas nem por isso é imortal. De repente, em um segundo ela se vai, se perde na realidade. Sabe a realidade, aquela que escolhemos não ver?
Somos cegos a maior parte do tempo. Ou fingimos ser. Tateando e procurando sentir. Sentir é permitido. Sentir demais é errado. O melhor é ficar dormente. Latente. Indiferente. Blazé.
Uma vez que outra conseguimos vislumbrar, espiar a verdade por entre as frestas. E ela não é bonita. É uma espécie de Medusa...uma vez que a olhe diretamente, você fica paralisado pelo medo que ela provoca.
E sabe o que eu vi? Vi a mim mesma. E tenho medo de quem eu sou. Ou me tornei. Ou sempre fui. Eu sempre fui assim? Sou eu, só eu. E não dá para escapar de quem somos. Estamos juntos até o fim, babe.
E não basta, não basto de novo. Não importa o que se faça, diga, demonstre. Sou o que sou, mas não o suficiente. Sou um ‘quase’. Alguma coisa inacabada, esperando definição. Esperando pelo não.
“E tudo que eu andava fazendo e sendo eu não queria que ele visse nem soubesse, mas depois de pensar isso me deu um desgosto porque fui percebendo que talvez eu não quisesse que ele soubesse que eu era eu, e eu era.”
Acho que o Caio Fernando Abreu sempre teve uma forma muito própria de demonstrar seus sentimentos através de frases inconfundíveis. Há um toque de melancolia e tristeza, mesclada com doçura e desespero em vários de seus textos.
Loucura é perdição, submissão e rendição total a algo que está além do nosso controle.
Abraço é aceitação, carinho e proteção de algo que está ao nosso alcance.
Antes que seja tarde demais...antes que tudo se acabe. Ou até mesmo antes que se tenha a chance de começar.
Abrace sua loucura, ele escreveu.
Agarre-a com unhas e dentes, segure com todo o aconchego que a insanidade é capaz de proporcionar. Perca-se com ela e nela...vá tão longe quanto possível, até onde os delírios possam lhe carregar. Livre-se de qualquer temor e seja forte e destemido para aceitar o fato de que, durante seus devaneios, os limites não têm importância.
Envolva-se e desfrute todo o encanto dessa entrega, afinal há um prazer na loucura que só os loucos podem conhecer.
“November is all I know, and all I ever wanna know”
Particularmente não sou fã de filmes românticos. Doce Novembro não mudou minha opinião. Mas dia desses, enquanto ‘espiava’ alguns trechos desse filme, me deparei com algumas frases interessantes.
Basicamente, a estória é de uma mulher (Charlize Theron) que, sem motivo aparente, escolhe um cara para ajudar por um mês inteiro. O cara da vez é Nelson (Keanu Reeves), e durante o mês de novembro ela se dedicará total e somente a ele, irá ajudá-lo como puder, através de dicas de como se viver melhor e outras filosofias baratas. Sexo também faz parte do pacote. Ela é doce e generosa; ele é cético, duro e egoísta. Acabam se apaixonando, claro.
Em determinado momento, ele pergunta por que essa relação só vai durar um mês. Ela responde que um mês é longo o suficiente para ser significativo, mas curto o bastante para não envolvê-los demais.
Isso me fez pensar. Quanto tempo é necessário para que um relacionamento seja significativo e relevante? De quanto tempo duas pessoas vão precisar para construir algo que seja profundo, que seja capaz de enraizar sentimentos e lembranças?
Um mês, um ano?
Muito tempo, eu diria. Mas não aquele tipo de tempo que se conta, e sim aquele que se vive. Longas conversas serão necessárias (especialmente se você for geminiano), trocas de opiniões. Respeito. Beijos intermináveis, carinho e carícias. Desejo. Em algum momento o silêncio tem que se tornar confortável e a ausência da outra pessoa desconfortável. Intimidade.
É como se fosse um processo, até que se sinta na pele e no coração que tudo que se está experimentando é bom. E que você quer mais. Quando você se der conta de que precisa de mais, só então você pode ter certeza de que está vivendo algo significativo.
É como acordar uma manhã, lembrar dessa pessoa que agora faz parte da sua vida e pensar: “this is it, life will never be better, or sweeter than this.”
Vem do pulso, que pulsa. Pula. Um pulo, um salto, sem rumo. Não dá pra voltar atrás.
Agir impulsivamente é não ter controle sobre si próprio, é esquecer a droga da razão e da ponderação...e colocar em ação a emoção. Afinal é isso que importa, certo? A coisa mais pura e verdadeira que temos é aquilo que sentimos.
Mas quer saber? Já cansei de ser impulsiva, acabo lamentando as bobagens que eu falo ou faço. E isso tá me fazendo pensar: até que ponto vale à pena deixar o que sentimos tomar conta e rédeas de nossas vidas?
Bom, se você é uma pessoa normal deve estar achando o que escrevi uma bobagem. Mas alguém que nem eu, que não sabe usar os freios que tem (se é que tem!) vai me entender perfeitamente.
Descontrole e impulso são palavras diretamente ligadas. Desastre e arrependimento também.
Timing is everything. Até mesmo para o amor. Não para que ele exista, mas para que ele sobreviva. Analisando bem, até para que ele exista deveria ter uma hora certa. Mas, se pensarmos assim, logo vamos querer a pessoa certa, no lugar certo, num bom momento, ou seja, a perfeição.
Talvez em apenas alguns momentos perdidos no meio do caos, no meio da tarde, escondida em algum lugar e momento mágico, a perfeição possa existir: quando ninguém está olhando e tudo que a gente pode fazer é sentir, ao invés de ser.
Agimos certo sem querer? Não, nem sempre agimos certo.
A resposta não está nem no passado que machuca nem no futuro que traz incertezas. A resposta está no agora. Se pudéssemos nos entregar de olhos fechados...mas o amor não é cego, after all. Se tudo que importasse fosse o ‘eu te amo’, mas precisamos ouvir mais. O amor quer trilha sonora. Se sentir o amor bastasse...mas não; temos teorias, opiniões, pressentimentos e intuições. Amar exige certeza.
Uma paixão nem sempre resulta em amor, mas amar alguém resulta em muitas coisas: há o ciúme, a carência, o desejo e uma interminável lista de emoções que estão intrinsecamente ligadas ao ato de amar.
E coordenando tudo isso está o tempo, certo ou errado, arrastado ou rápido demais, sem esperar por ninguém, oferecendo esperança ou desilusão.
Meu filme favorito, desde a primeira vez que assisti. Talvez porque tenha atendido a todas as minhas necessidades românticas, aliado a uma combinação de elementos completamente louca.
Here we go: Joel (Jim Carrey – na melhor interpretação se sua carreira) e Clementine (Kate Winslet – sempre perfeita) se conhecem. Joel e Clementine começam a namorar. Ambos são solitários, carentes e perdidos. O relacionamento é turbulento. Brigas são constantes. Ela decide acabar e vai além, procura uma clínica onde é possível apagar todas as lembranças que se tem sobre uma pessoa. Bye, Joel. Ele descobre e resolve dar o troco, mas no meio do procedimento em que teria Clementine apagada de sua mente, se arrepende e começa a lutar desesperadamente para salvar a lembrança dela.
É uma estória de amor e de aceitação. O ritmo é lento e ainda assim há muita informação. Não tem uma seqüência lógica, um início-meio-fim. Há que se concentrar um pouco para entender a cronologia da estória. A trilha sonora passa despercebida, mas a fotografia é genial. O que me encanta são os diálogos, cheios de frases que para mim, sempre vão ser inesquecíveis.
Difícil resumir, mas me comove a forma como Joel, no meio da mágoa e raiva, consegue perceber que ama Clementine; e que, qualquer lembrança dela é melhor do que nenhuma. Me enternece a angústia e desespero dela, já sem qualquer memória de Joel, de que existe um vazio que ela não consegue atinar.
Não se esqueça de assistir! Dica: alguém me disse que, acompanhado pela pessoa que você ama é beem melhor!
O início do amor é como um clic. O fim é como um estalo.
Tem essa frase que li uma vez e não sei de quem é: o amor nasce de quase nada e morre de quase tudo. Sim, até o amor mais intenso pode acabar. Ele pode desgastar até se esvair, ou se transformar...seja em uma amizade, em ódio ou desprezo.
Quando e como você descobre que alguém já não te ama mais? Quando o amor acaba? E em que momento percebemos isso? Durante uma briga ou no meio de um beijo? Enquanto se assiste um filme ou logo que acorda? Antes de dormir ou depois do banho?
Talvez não seja uma questão de descobrir e sim sentir. O carinho vai embora e a indiferença toma conta. E a partir daí, não tem mais jeito. Quem não ama não se importa. Acredite. Ou não. Sempre é possível se enganar por algum tempo. Ou muito tempo.
Resumo da ópera: o amor acaba, ou gente acaba com ele...e ele acaba com a gente.
Tiro o telefone do bolso e ligo. Desligo, desisto. Ansiedade. Olho ao redor, todos parecem irritantemente alegres em suas conversas. Vazio. Encho uma taça qualquer com um vinho tinto barato. Amargo. Doce era teu gosto na minha boca. Volto para um pequeno grupo que me entretém numa conversa rápida. O tempo se arrasta. Nenhuma chamada recebida. Tento ver através da janela, mas só chove. Eu não queria estar aqui, esse lugar está cheio de gente. Solidão. Vou até o banheiro, olho no espelho e sinto vontade de chorar. Essa noite não. Música alta, todos cantando, rindo e dançando. Máscaras. Tenho que sair daqui, mas ainda é cedo. Tarda a amanhecer e eu quero mais bebida, muita bebida, qualquer coisa que me entorpeça. Toca telefone! Droga! Preciso de drogas, da única que me acalma. Uma overdose de ti. O vinho faz efeito, finalmente, fielmente. Ao redor tudo gira, sensação boa de não sentir (quase) nada. Tudo me falta. Quero me perder, mas tenho que te encontrar, logo. Essa noite sim. Agora. Saio sem me despedir de ninguém, e todos vão perceber. Entro no carro e vejo a chuva cair e escorrer pelo vidro. Vejo teu rosto, olhando para mim. Saudade. Tenho que ir para casa. Dormir e esquecer. Lembro do teu riso. Dói. Ligo o carro e o caminho está incerto. É certo que me perdi, ao te perder. Tudo de novo? Não! Chega de repetir os mesmos erros. Acertei em prosseguir! Dou ré e estaciono em frente a tua casa. Meu coração dispara. A chuva não vai parar tão cedo. Meu coração pára. Vejo-te na janela por uma fração de segundos. Será miragem do deserto que agora é minha vida? Minha boca está seca. Deito no banco de trás e fico olhando para a luz fraca que vem do teu quarto. Quero entrar, te abraçar e beijar e não mais soltar. Largo o freio de mão e penso em ir embora e não voltar, nunca mais. Sempre vou te amar. Eu me odeio por ser tão fraca. Forte ainda é o teu cheiro nas minhas roupas. Cansei. Sento atrás do volante e decido que tudo que existia entre nós acabou. Começo a correr até a tua porta. Antes de eu bater, você abre e...
“Do amor pouco sei e quase tudo espero
Amando eu me acalmo e me desespero”
Cazuza
* texto publicado na Revista Fanzine da Gaveta (Cxs/RS - julho/2010)
Já traí e me arrependo. Sinceramente. Se pudesse voltar atrás...mas não posso. Nem consertar a minha imaturidade na época. Quanto mais eu traía, mais me dava conta de que buscava algo que não tinha na relação que estava naquele momento. Então posso dizer que, afinal e no final, tirei proveito dessa situação toda. Erros são para isso, certo? Pra gente aprender e crescer com eles.
Lindo meu discurso, não? Trair tudo bem. Mas...e ser traído?
Dia desses me perguntaram como é a sensação de ser enganado. Pra quem nunca experimentou, aqui vai: dose brutal de humilhação pura, direto na veia. Faz você se sentir inferior e inferiorizado; é um sentimento que te toma, derruba e te acompanha noite adentro. É gosto ruim na boca, dor no coração, veneno no sangue. Não sai da tua mente e pesa na cabeça...rs...bom, você sabe o que pesa.
Resumo da ópera: você ali, achando que está fazendo uma grande coisa, ‘abafando’! Tá podendo, hein? Doce inocência! Do que eu estou falando? Ah, meu amigo! Don’t you know? Nunca te fizeram de palhaço? Nunca te passaram aquela: ‘eu te amo...and you are the only one for me! (certas coisas soam tãooo melhor em inglês, especialmente as ironias!)
Nunca? Mesmo? Tem certeza?
Bom pra você! Agora em português claro, pra você entender bem: my dear, just in case, open up your eyes.
Poderia começar definindo que é uma série da HBO sobre vampiros. Mas não é tão simples assim...
Imagine uma cidadezinha no estado de Louisianna, chamada Bon Temps (pronuncie com o que você tiver melhor do seu sotaque francês!), onde existe uma exótica mistura de culturas: negros praticantes de vodu, brancos protestantes, o americano tradicional e republicano, gays e homofóbicos. Tudo isso mesclado com a exótica paisagem sulista norte-americana, com a forte religiosidade e a marcante colonização francesa. Muitos adjetivos pra você? E eu mal comecei.
Pois bem, a estória começa quando os vampiros, encorajados pela recente invenção japonesa de um substituto artificial de sangue, espécie de sangue sintético, resolvem ‘sair do caixão’, ou seja, revelar para o mundo inteiro sobre a sua existência. E vão além, exigem direitos civis e a oportunidade de viver como seres atuantes na sociedade.
Louco? Sim, a princípio nada parece fazer muito sentido. Mas, a sutil presença de piadas e o sarcasmo constante logo nos fazem pensar que a situação não é tão absurda assim. Já vimos isso antes! Sim, o criador da série e homossexual assumido Allan Ball, cria um link com a discriminação contra os gays. Fica fácil perceber, através de sacadas interessantíssimas como: God hates fangs (Deus odeia presas), num trocadilho genial para God hates fags (substitua presas por bixas)!
Então, surpreendentemente, o tema já tão batido da discriminação sexual, ainda que necessário, se torna novo e vibrante. Porém, em True Blood, os gays já não são o maior alvo de discriminação e chacotas, e sim, os vampiros. Porque misturado à repulsa, ao medo dessas criaturas estranhas e intrigantes, existe a atração que eles sempre parecem despertar nos humanos. Nesse caso, a série não foge à regra, os vampiros continuam sendo carregados de erotismo e charme.
O que nos remete ao próximo elemento constante desse programa: sexo. Que é mostrado como um alimento tão vital aos humanos quanto o sangue é para os vampiros. Romantismo? Não. A relação entre os protagonistas: Sookie (Anna Paquin) e o centenário Bill (Stephen Moyer) não chega a ser fria, diria morna, apesar do sexo entre eles ser banhado a sangue e mordidas, o que é ótimo, para variar das eternas cenas de sexo bonitinho entre a mocinha e o mocinho! Contudo, assistindo a segunda temporada, já me pego torcendo para que Sookie ofereça seu lindo pescoço branco para outros caninos.
Na verdade, True Blood é cheio de personagens com fortes elementos vívidos e vivos, e talvez seja isso o motivo do sucesso da série. Todos têm defeitos, escondem segredos, vícios e perversões. Os vampiros, e a morte, vêm completar esse cenário e acrescentar um toque de magia à realidade já surreal de Bon Temps. E muitas vezes, fica confuso saber quem é mais maligno, as estranhas criaturas noturnas ou os dissimulados seres ‘humanos’. Experimente.
Mesmo que toda a comunicação que tivéssemos com o ser amado fosse verbal, ainda assim ocorreriam falhas de comunicação, pois amamos muito mais do que com o coração, amamos com a razão e com o desejo também. São tantos sinais, tantas direções assinaladas que nos perdemos.
Silêncios podem ser interpretados como indiferença. Palavras com duplo sentido terão múltiplas leituras. Olhares para a direção errada podem significar morte certa. Quando amamos, estamos constantemente atentos ao objeto do nosso amor. Cada detalhe conta. E todas essas informações que recolhemos, se misturam com tudo aquilo que sentimos e se confundem. E nos confundem.
É impossível viver sem amor. E é impossível viver só dele também. Precisamos de praticidade, enxergar que a vida nos chama com suas urgências e monotonias. O conto de fadas, a história romântica pode existir sim, mas ela precisa ser vivida dentro da realidade que nos encontramos. E a realidade fala um idioma tão complexo, que, freqüentemente, nos diz uma coisa e entendemos outra!
Na sua magnífica obra-prima, Saint-Exupéry nos diz que a linguagem é a origem dos mal-entendidos. O Pequeno Príncipe buscava compreensão e discernimento, mas não aquele simplesmente advindo da razão, porque sua jornada durante o livro claramente é guiada pela emoção. E através do seu doce anseio em aprender, ele nos explica que ‘só enxergamos através do coração’; ‘tudo que é essencial é invisível aos olhos’.
Mesmo?
Talvez. Mas amar é muito mais do que sentir. Amar é prover, é ser fortaleza e ao mesmo tempo castelo de areia. Amar é tatear às cegas e saber de cor cada pedaço do corpo amado. Amar é falar com os olhos e enxergar além de lágrimas e sorrisos, é ler nas entrelinhas, é interpretar... ainda que a interpretação nunca tenha sido seu forte!
Adoro essa frase do Freddie Mercury. No clássico ‘We are the Champions’ ele esnoba, dizendo que não tem tempo para perdedores. E quem tem?
Um loser é um chato.
É aquele cara que, muitas vezes, se acha o tal. É o babaca que fala com uma profundidade falsa sobre um assunto sério. O engraçadinho que faz piadas sem graça nenhuma, e você nem ri para agradar. Aquele idiota verborrágico que aconselha a todos sobre tudo, sustentando um irritante ar de sábio. É o arrogante que te enoja e o coitadinho que te bajula.
Mas acredito, convictamente, que o pior tipo de loser é o invejoso.
Nada mais desagradável do que a presença de alguém assim, que envenena a tudo e a todos com sua incapacidade de ser feliz com aquilo que tem. E ainda cobiça aquilo que é teu, invejando tua casa, tuas botas novas, teu bom astral. Tem inveja do teu sucesso e da tua namorada.
Porém, sejamos sinceros: a verdade nua e crua é que todos nós fomos, somos ou seremos perdedores, pois, em pelo menos algum momento de nossas vidas vamos experimentar o gostinho amargo da derrota, através da perda de um amor, de uma amizade, ou de algo que tenha valor inestimável. E talvez a forma com a qual lidamos com a derrota seja o que nos separa em diferentes níveis, pois nossas atitudes podem mostrar claramente se somos bons competidores ou não.
Losers são um saco.
Mais do que perdedores eles costumam ser derrotistas. Infelizmente, já que eles não vêm com sensor de alerta de maldade, tampouco com letreiro na testa te avisando que ele ou ela podem ser nocivos a tua felicidade, use bom senso e toneladas de paciência caso seja obrigado a conviver com este tipo de criatura! Um amuleto contra olho-grande também pode ser útil!
Desde criança nos é ensinado sobre o certo e o errado. Uma das recordações mais antigas que tenho é da minha avó, me contando o clássico Chapeuzinho Vermelho, onde a teimosa menina tinha duas escolhas claras, dois caminhos opostos, e acabava optando pelo mais perigoso. Ainda bem, ou goodbye para uma das melhores histórias infantis de todos os tempos.
Sim, Chapeuzinho Vermelho é uma ótima metáfora para nos alertar, desde cedo, que se formos imprudentes e descuidados, que se escolhermos errado, fatalmente daremos de cara com o perigo e o insucesso, e porque não dizer, até com a desgraça.
Acho que foi Cazuza quem disse que tem o certo, o errado e tem todo o resto. E então? O que a gente faz com todo o resto que não nos foi ensinado? O que a gente faz com o caminho do meio, aquele que acabamos trilhando muitas vezes! E que muitas vezes tomamos, cheios de culpa porque o consideramos errado, ou com um orgulho besta e vazio, porque era “a coisa certa” a se fazer.
Às vezes, aqueles sentimentos não tão nobres assim são os que nos salvam. E, freqüentemente, o amor, o altruísmo e a generosidade não nos recompensam na mesma moeda. Nem sempre o bandido acaba mal, nem sempre o bonzinho tem seu final feliz. Nossa existência é muito mais do que real, ela é ambígua e surpreendente; ela te puxa pelo pé quando você está voando ou te estende a mão enquanto você rasteja em prantos.
Talvez eu esteja enrolando muito para dizer o que todo mundo já sabe: nada é simplesmente preto e branco. Ser uma pessoa dita correta, não vai assegurar que você seja feliz e realizado. Agir com maldade e desonestidade não é garantia de uma terrível danação no fogo do inferno.
Temos milhares de possíveis caminhos para escolher. Cada circunstância, cada momento na vida é único e, por isso, nossas escolhas devem ir além de conceitos pseudo-cristãos sobre o que é aceitável pela nossa hipócrita sociedade. Não estou defendendo crimes violentos ou abomináveis, mas aquelas pequenas-grandes culpas que, cotidianamente, nos atormentam, e que, afinal, são as que mais pesam.
A nossa jornada nessa coisa fantástica que chamamos de vida é composta por muito mais do que o caminho da esquerda ou da direita. São subidas e descidas, curvas sinuosas, atalhos, avenidas movimentadas e até mesmo desertos intermináveis. E, eventualmente, vamos nos deparar com alguma encruzilhada, onde a direção a ser seguida vai ser uma incógnita até o momento do primeiro passo.