Desde criança nos é ensinado sobre o certo e o errado. Uma das recordações mais antigas que tenho é da minha avó, me contando o clássico Chapeuzinho Vermelho, onde a teimosa menina tinha duas escolhas claras, dois caminhos opostos, e acabava optando pelo mais perigoso. Ainda bem, ou goodbye para uma das melhores histórias infantis de todos os tempos.
Sim, Chapeuzinho Vermelho é uma ótima metáfora para nos alertar, desde cedo, que se formos imprudentes e descuidados, que se escolhermos errado, fatalmente daremos de cara com o perigo e o insucesso, e porque não dizer, até com a desgraça.
Acho que foi Cazuza quem disse que tem o certo, o errado e tem todo o resto. E então? O que a gente faz com todo o resto que não nos foi ensinado? O que a gente faz com o caminho do meio, aquele que acabamos trilhando muitas vezes! E que muitas vezes tomamos, cheios de culpa porque o consideramos errado, ou com um orgulho besta e vazio, porque era “a coisa certa” a se fazer.
Às vezes, aqueles sentimentos não tão nobres assim são os que nos salvam. E, freqüentemente, o amor, o altruísmo e a generosidade não nos recompensam na mesma moeda. Nem sempre o bandido acaba mal, nem sempre o bonzinho tem seu final feliz. Nossa existência é muito mais do que real, ela é ambígua e surpreendente; ela te puxa pelo pé quando você está voando ou te estende a mão enquanto você rasteja em prantos.
Talvez eu esteja enrolando muito para dizer o que todo mundo já sabe: nada é simplesmente preto e branco. Ser uma pessoa dita correta, não vai assegurar que você seja feliz e realizado. Agir com maldade e desonestidade não é garantia de uma terrível danação no fogo do inferno.
Temos milhares de possíveis caminhos para escolher. Cada circunstância, cada momento na vida é único e, por isso, nossas escolhas devem ir além de conceitos pseudo-cristãos sobre o que é aceitável pela nossa hipócrita sociedade. Não estou defendendo crimes violentos ou abomináveis, mas aquelas pequenas-grandes culpas que, cotidianamente, nos atormentam, e que, afinal, são as que mais pesam.
A nossa jornada nessa coisa fantástica que chamamos de vida é composta por muito mais do que o caminho da esquerda ou da direita. São subidas e descidas, curvas sinuosas, atalhos, avenidas movimentadas e até mesmo desertos intermináveis. E, eventualmente, vamos nos deparar com alguma encruzilhada, onde a direção a ser seguida vai ser uma incógnita até o momento do primeiro passo.

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