quarta-feira, 14 de julho de 2010

Opostos


O oposto da vida não é a morte. A morte é apenas uma pausa, até que outra vida recomece. O oposto da vida é a ilusão, que nos impede de viver de verdade, viver a verdade; aproveitar os momentos, o agora, como se tudo estivesse prestes a acabar.
O oposto da coragem não é o medo, pois a pessoa mais corajosa do mundo pode encarar o perigo, ainda que com medo no coração. O oposto da coragem é a precaução, que nos impede de arriscar e tentar e buscar.
O oposto da alegria não é a tristeza. A tristeza é uma nuvem escura que vai e vem sobre as nossas cabeças, mas ela passa como se fosse uma chuva. O oposto da alegria é a falta de perspectivas, de esperança. É olhar para o futuro e não enxergar nada.
O oposto da solidão não é multidão. Ainda que num lugar interessante, cercado de coisas bonitas e pessoas interessantes, podemos nos sentir solitários. O oposto da solidão é a plenitude de um amor, qualquer tipo de amor, que preenche a vida e o coração.
Ilusão, precaução, solidão, desesperança são sentimentos que nos acompanham sempre. Fazem parte da nossa existência, ainda que nos impeçam de viver. A parte boa da vida é que tudo, absolutamente tudo, tem seu oposto, e assim, podemos suportar até o nada.

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