segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Paris

A Cidade Luz. A cidade mais linda do mundo. O museu mais famoso. A melhor comida. A língua mais charmosa. E o povo mais arrogante. Paris é só superlativos.
Mas os parisienses me fizeram desistir de querer aprender francês. Não vou dar esse gostinho para esses franceses metidos, gastar o meu precioso tempo para tentar me comunicar com esses bâtards! Prometo! Je le jure!
Talvez eles tenham um motivo para agirem de forma tão arrogante e rude. São donos da cidade mais linda que já vi. As ruas são verdadeiras obras de arte, são tão incríveis que você tem vontade de sentar e ficar olhando para essa arquitetura tão bela quanto antiga. C’est très magnifique!
O Sena passaria despercebido, mas as pontes que o cobrem são um toque de mestre – irresistivelmente desenhadas para você se curvar sobre elas, olha pelo rio e se deixar levar pelo romantismo que o cenário desperta. Difícil de explicar...um je ne sais quoi.
A Torre Eiffel não é grande coisa durante o dia, mas à tardinha sua cor cinzenta é substituída por um tom de cobre...e quando a noite cai, o dourado toma conta, e ela se transforma num magnífico farol que guia até o turista mais distraído. Champs Élisées e o Arc de Triomfe também são mais bem apreciados à noite, que é quando Paris de fato brilha. Joie de vivre!
As igrejas, bem, parece muito pobre e aquém chamar a Notre-Dame ou Sacrée Coeur de simples igrejas...elas são catedrais de estilo gótico, construídas na Idade Média e que coroaram Imperadores e  até Papas. Seus tetos são cobertos de ouro e suas paredes foram pintadas por Rafael...ou Michelangelo. Ou foram os dois? N’est-ce pás?
E por falar em arte...Paris tem o Louvre. Se bem que seria mais correto dizer que o Louvre tem Paris. Esse museu é o lugar mais lindo, fantástico e incrível que eu já coloquei os meus olhos. O que costumava ser um castelo tornou-se o lar das obras de arte mais importantes da humanidade. A própria arquitetura do Louvre já bastaria para encantar alguém, mas os quadros, as estátuas e as coleções de antiguidades vêm acrescentar vida e história a esse lugar. La pièce de résistance.
A comida não me impressionou, mesmo porque eu não tinha grana o suficiente para bancar uma refeição regada a vinho e queijos franceses. E a cuisine francesa é um privilégio para poucos, os próprios europeus admitem isso. Os doces são muito bons, mas a minha tia Mara faz sobremesas melhores. O café é razoável... mas  as baguetes do Zaffari são melhores! Não achei o crème de la creme.
E é por isso mesmo que eu me pergunto!? Se os franceses estão – e eles estão – constantemente cercados de beleza...porque são tão mal humorados e estúpidos? A beleza banalizou? Quelle horreur!
Enfim, acho que foi Hemingway quem disse que Paris é uma festa. Pode até ser que seja, contanto que os convidados sejam os milhares de turistas que a visitam todos os dias...e os anfitriões são os incríveis lugares que a cidade tem. Por mim, os parisienses nem seriam chamados para a festa. Fazer o que? C’est la vie!

Londres




Quero morar em Londres quando eu crescer.
Quero andar pelo Hyde Park no verão, porque no inverno quase congelei. Deitar num pedacinho daquele longo gramado verde e observar as árvores centenárias onde Shakespeare costumava buscar inspiração, onde Henrique VIII costumava cavalgar e onde Paul MacCartney escreveu Yesterday.
Quero andar e percorrer toda a Oxford Street, gastar até meu último penny nas lojas cheias de roupas e calçados incrivelmente lindos e baratos. Comprar todas as bugigangas que eu não preciso e realizar todos os meus sonhos fúteis de consumo – sem culpa.
Quero visitar a Tate Gallery e passar horas olhando – e fingindo que eu entendo – as pinturas e esculturas modernas que as suas paredes e salas apresentam. Mas quero ver também as pessoas bonitas e descoladas que circulam por lá, pois talvez sejam elas que adicionam mais charme ao lugar.
Quero ver Londres de novo do alto do London Eye. Saber qual foi a última celebridade a virar boneco de cera no Madame Tussauds. Cruzar pelo Green Park e dar de cara com o Buckingham Palace. Ir à feira de antiguidades em Notting Hill no domingo de manhã. Tomar o chá da tarde na Harrods. Tomar vergonha na cara e visitar todos os museus que são gratuitos.
Quero poder sentir a vibração dessa Babilônia moderna que muitos consideram a capital do mundo. Pelo menos daquele lado do Atlântico. Londres é uma cidade cheia de energia, nunca vi um lugar com pessoas tão diferentes, pois todas as etnias estão ali. Melting pot.
Quero me perder na multidão de Picadilly Circus e ter aquela sensação (que eu tinha esquecido!) muito boa de ser uma pessoa anônima, mas que, ainda assim, você está no centro do mundo e faz parte de alguma coisa e de algum lugar.
Mas tudo isso, só quando eu crescer...

(…) I know they keep the way clear
I am lonely in London – without fear
I’m wandering round and round here – nowhere to go…
C. Veloso

Dublin (Baile Átha Cliath)


“Bad food, bad weather, great beer”
Irish saying

Viajar é preciso.
Verdade verdadeira. Nada melhor do que estar em um lugar para se ter suas próprias impressões. Minha primeira vez no Velho Mundo. Poucas semanas para tentar conhecer e entender um pouco dos europeus e visitar três capitais: Dublin, Londres e Paris.
Várias pessoas, às vésperas da viagem, ficavam me perguntando se eu estava nervosa, ansiosa ou excitada. Respondia que não. Atitude blazé? Nem um pouco! Tava tranqüila mesmo, mesmo porque não era minha primeira experiência no exterior. A única coisa que realmente me preocupava era a casa e a família onde eu ficaria em Dublin. Quando recebi as primeiras informações sobre a minha hostess, relaxei: minha anfitriã seria uma enfermeira de 49 anos, divorciada e com uma filha de 20. O bairro onde moraria me pareceu ótimo e bem localizado, relativamente perto de onde eu estudaria.
Só achei que seria recebida com uma leve indiferença, típica dos europeus. Meu primeiro engano. Os irlandeses – posso falar especialmente sobre os dubliners – são extremamente atenciosos, solícitos e educados. E, surpreendentemente, afetuosos. Nunca se negam a ajudar ou dar uma informação, inclusive, parecem fazer isso com prazer.  Se desculpam por tudo, até mesmo pelo que não é culpa deles. Uma noite no ônibus, pisei forte no pé de um cara que estava ao meu lado, já estava me virando pra pedir desculpas, quando ele, antes de mim, disse: “I’m so sorry”! Vá entender! Mas voltei mais educada, percebendo que a civilidade e as boas maneiras são importantes no nosso cotidiano.
Dublin é uma capital com jeito de cidade pequena. Ruas limpas, mulheres vendendo tulipas nas esquinas, jornal de graça, coffee to go, sanduíche no almoço e batatas no jantar. Bad food. O frio é constante e chove quase todos os dias. O dia, se é que o sol chegou a aparecer, termina às 4h da tarde. Bad weather. Quer se divertir? Vá para um pub. A cada quadra tem um, dois ou mais. O mais famoso é o charmoso Temple Bar, localizado no Dublin Centre e que funciona desde 1840. Os pubs são uma atração à parte, sempre cheios de gente bebendo muita cerveja nas famosas pints (copos grandes e largos com um formato mais aberto em cima). Mas a cerveja é diferente da nossa, mais fraca e mais saborosa, por isso se bebe tanto. White lie! Os irlandeses são famosos apreciadores de cerveja, acho que só perdem para os alemães. E eles morrem de orgulho da Guiness, sua cerveja mais famosa, assim como nós, brasileiros, sentimos do nosso futebol Great beer.
Fui para a Irlanda sem grandes expectativas (todas estavam guardadas para Londres, cidade que sempre sonhei em conhecer), mas voltei com ótima impressão dessa ilha gelada, úmida e chuvosa. E sim, é puro mito: os irlandeses tomam banho sim...long ones! Mesmo porque eles não têm que se preocupar em pagar taxas por uso de água ou eletricidade!  Privilégios do Primeiro Mundo! E além dos vários banhos de chuva, foi em Dublin que tomei meu primeiro banho de civilidade. Slán!