segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Londres




Quero morar em Londres quando eu crescer.
Quero andar pelo Hyde Park no verão, porque no inverno quase congelei. Deitar num pedacinho daquele longo gramado verde e observar as árvores centenárias onde Shakespeare costumava buscar inspiração, onde Henrique VIII costumava cavalgar e onde Paul MacCartney escreveu Yesterday.
Quero andar e percorrer toda a Oxford Street, gastar até meu último penny nas lojas cheias de roupas e calçados incrivelmente lindos e baratos. Comprar todas as bugigangas que eu não preciso e realizar todos os meus sonhos fúteis de consumo – sem culpa.
Quero visitar a Tate Gallery e passar horas olhando – e fingindo que eu entendo – as pinturas e esculturas modernas que as suas paredes e salas apresentam. Mas quero ver também as pessoas bonitas e descoladas que circulam por lá, pois talvez sejam elas que adicionam mais charme ao lugar.
Quero ver Londres de novo do alto do London Eye. Saber qual foi a última celebridade a virar boneco de cera no Madame Tussauds. Cruzar pelo Green Park e dar de cara com o Buckingham Palace. Ir à feira de antiguidades em Notting Hill no domingo de manhã. Tomar o chá da tarde na Harrods. Tomar vergonha na cara e visitar todos os museus que são gratuitos.
Quero poder sentir a vibração dessa Babilônia moderna que muitos consideram a capital do mundo. Pelo menos daquele lado do Atlântico. Londres é uma cidade cheia de energia, nunca vi um lugar com pessoas tão diferentes, pois todas as etnias estão ali. Melting pot.
Quero me perder na multidão de Picadilly Circus e ter aquela sensação (que eu tinha esquecido!) muito boa de ser uma pessoa anônima, mas que, ainda assim, você está no centro do mundo e faz parte de alguma coisa e de algum lugar.
Mas tudo isso, só quando eu crescer...

(…) I know they keep the way clear
I am lonely in London – without fear
I’m wandering round and round here – nowhere to go…
C. Veloso

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